Um fim-de-semana a Cuidar

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Cuidar. História, Família e Amor. Vinda de um fim de semana de trabalho na casa velha, as três palavras que me ocorrem acrescentar às de ecologia e espiritualidade são estas três. Isto para para além da óbvia: Cuidar! Fui para este fim de semana, por iniciativa do meu marido, e fui sem saber para o que ia, apenas confiando! Só sabia que iria estar no campo e a rezar, o que para mim é sempre um bom programa e que podíamos ir os quatro em família, nós os dois e as nossas filhas (uma de 4 e outra de 2) – ideal! Não sabia que me esperava um fim de semana de trabalho na floresta e um fim de semana de descoberta da importância da palavra cuidar e da importância que é a nossa história e a história da nossa família! Não sabia que me esperava um grupo de pessoas para as quais bastava olhar para já me sentir cúmplice e acolhida. Não sabia que me esperava um redescobrir que há muita esperança nestes jovens que rezam por um mundo melhor e que estão empenhados na sua construção. Dar, sem esperar nada em troca! Não esperava que iria fazer dois amigos improváveis– o sobreiro e a oliveira! Mas se há uma imagem que me fica deste fim de semana, é a que está reflectida nesta fotografia, a de um desses jovens comprometidos a preparar os baldes com luvas e ferramentas para o trabalho no campo. Sozinho, ia juntando as luvas aos pares e pondo-as uma dentro da outra. Preparava com cuidado aquilo que nós iríamos usar para cuidar, cuidar da floresta, que nos diz tanto a nós portugueses depois deste ano de 2018 terrível dos fogos, cuidar das árvores, da paisagem, da casa e do património! E cuidar, sem esperar nada em troca, da vida e do amor que une as irmãs que cresceram naquela casa. O amor pelos seus pais, por uma história, por uma casa, por um campo!
Termino, com um pensamento, que me voltou dos tempos em que vivi em Nova Iorque. Senti, ali, longe da família uma falta que não sabia que se podia sentir como falta, a de cuidar de alguém! Em Nova Iorque, onde vivi, sem família nem amigos antigos durante 4 anos, estranhamente talvez a falta que mais senti foi a de ser precisa, a de cuidar de alguém! E aqui, transposto para todo um ecossistema, é isso que resume o fim de semana – a palavra cuidar!

12.02.2019 Ana Canha

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Ainda a mastigar tudo o que vivemos neste fim-de-semana, tão especial. Também não sabia em concreto ao que ia, sabia que ia estar no fim de semana de oração e trabalho no campo, em casa das Alvins, o que por si só era sinal de confiar, a certeza que iria estar com Deus e a alegria de poder levar comigo a minha família e podermos viver um tempo que eu sabia especial, todos juntos.

Mas como sempre Deus manifesta-se e surpreende-nos sempre. Eu na verdade não conhecia  a Casa Velha, o que encontrei foi um lugar de Deus, um lugar onde tudo concorre para que Ele se manifeste em todo o seu amor de Pai sem holofotes nem necessidade de palcos e microfones nem paragonas, mas na simplicidade de um acolhimento de três irmãs e a sua família que com ajuda de um padre de voz calma e um grupo que de tão discreto que foi que nem se deu por ele, nos proporcionou a todos um fim de semana de oração e trabalho no campo.

Confesso que o que mais gostei foi na verdade este estar com Deus um fim-de-semana inteiro desde o acordar até ao deitar (andava com saudades disto); Um diálogo permanente que foi muito além dos momentos de oração; o facto de não ser um fim de semana de amigos, (embora as donas da casa fossem minhas amigas, e houvessem amigos), a maioria das pessoas eram–me desconhecidas, e eu nem precisava de falar, fomo-nos cruzando sorrindo uns para os outros, numa cumplicidade de coração de quem está ali com Alguém em comum e com uma enxada, uma serra, ou uma tesoura de poda na mão; a constante existência de gestos de cuidado, amor ao próximo e à criação.

Gostei de ver as minhas filhas pelo campo pela mão de outros, felizes sem saberem porquê, a darem as mãos a outras crianças que não conheciam.

Gostei de rezar com muitos com a naturalidade e espontaneidade de quem reza em família.

Gostei que tudo fosse acontecendo, as horas passavam-se e os momentos de Oração Trabalho e Descanso aconteciam sem grandes palavras.

Particularmente, gostei muito da casa e dos seus recantos que se vão descobrindo, dos muros dos portões, das fontes, dos poços, da beleza do campo que envolve a casa tão diferente entre si (na ladeira que leva a um bosque de sombra que conduz à pastagem e ao campo aberto que retorna à horta por onde se chega ao olival antigo todo alinhado). Andamos por todo este Campo e aqui na companhia de uma frase da oração, de um verso do salmo ou de uma música, pude intervir sentindo-me parte de um todo sem grandes alterações, como quem reza baixinho e como dizia a minha mulher, cuidando apenas.

Muito, muito obrigado a todos, manas Alvim, pe. Frederico, equipa dos atravessados e a cada um do grupo.

12.02.2019 Paulo Canha

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