Visita a Forges, Campus de la Transition

IMG_0662

O Campus de la Transition fica a uma hora e quarto de comboio de Paris, situado numa quinta de 12 hectares, com o nome de Forges.   Num Château do século XVIII, que também já foi uma escola agrícola, quer ser um espaço de transição ecológica e social. Um dos objetivos deste campus passa por criar condições para que os estudantes universitários aqui encontrem formas de relacionamento e de conhecimento que não encontram nos programas curriculares das universidades.

20190523_150659

O ponto de encontro é a Gare de Lyon, no centro de Paris. Partimos cedo, 7h20, em direção a Montereau.  No grupo estão dois jovens franceses, a Sarah e o Malcolm, a Margarida e a Patrícia (Casa Velha), o Andres (ESSC) , o Jerôme (CERAS), o Edmond (JESC) e o Pedro (ECOJESUIT).  Somos um grupo heterogéneo, nas idades, nas origens, naquilo que fazemos e por isso a conversa flui naturalmente entre pessoas que se querem conhecer e que querem conhecer o Campus de la Transition.

Chegamos a Montereau e ainda temos 15 minutos de caminho entre campos agrícolas que nos levam até um portão onde se entrevê o Château de Forges. Para nos receber neste primeiro dia de visita está o Xavier, jesuíta em missão. Há nossa volta um grupo de 30/40 pessoas, maioritariamente estudantes que participam numa formação em permacultura, durante 2 meses, preparam-se para tomar o pequeno-almoço.

As mesas estão no exterior porque o sol brilha e deixa adivinhar um dia quente. Entramos e no aparador há pão, cereais e fruta.  Mais à frente, café, chá ou leite, talheres, guardanapos, copos e canecas. Cada um se serve e à medida que lemos as placas, entramos no espírito: “Aqui cada um lava a sua louça”. A partilha de tarefas do dia-a-dia é um princípio da comunidade residente de cerca de 8 pessoas, em que se inclui o Xavier, mas também dos estudantes que aqui vêm fazer a sua formação.

Antes mesmo de tomarmos o nosso pequeno-almoço, o Xavier leva-nos a conhecer os quartos onde vamos passar esta noite. À volta cada cadeira, mesa, cama, os lençóis, são peças recicladas e reutilizadas. Vive-se o princípio de não desperdício por dentro. Ainda há muito trabalho a fazer em termos de conforto, mas nas casas-de-banho já podemos encontrar as sanitas secas. Conceitos alternativos que nos lembram que este é um campo de transição ecológica.

Um campo de transição social também, e, talvez por isso a ideia de cooperação e co-criação seja transversal a todo o projeto. Neste momento está a decorrer uma campanha para angariar fundos e levar para a frente a obra de isolamento do segundo piso, para garantir conforto no próximo Inverno. No global, o projeto é renovar de uma forma ecológica todo o edifício do Château e os edifícios circundantes.

Entre encontros e reuniões o primeiro dia passa também por uma visita à quinta. No Château fica a cozinha, espaço de refeições, biblioteca, salas, quartos. No terreno em frente, há uma horta plantada e cuidada a partir dos princípios da permacultura, que está a ser ampliada. Ao fundo uma floresta, por onde passeamos e encontramos duas sequoias. Nos edifícios de apoio, ao lado do Château, já há galos, galinhas, cabras e pombos-correio.

Dia 2, Cécile Renouard, a mentora deste projeto criado no ano passado, senta-se à mesa connosco para confirmar aquilo que estamos a experimentar desde o momento em que chegamos a Forges: este é um lugar de ensino e pesquisa, que está enraizado na experiência de um eco lugar em construção. Um lugar alternativo às universidades no seu sentido clássico, também na experiência social, numa educação que passa em primeiro lugar por um conceito humanista de cooperação.

Um lugar de ensino inovador nos conteúdos, mas também na maneira de os ensinar. 12h30, almoçamos. Cheira bem e a refeição é vegetariana. Os vegetais são dados pelos agricultores locais. Tudo aquilo que vão deitar fora porque tem má cara ou está em excesso vai parar às mãos dos cozinheiros, leia-se elementos da comunidade, do Campus de la Transition. Confortados, partimos. No comboio, de regresso a casa, a conversa flui. Cruzam-se ideias e a certeza de que somos muitos à procura e a trabalhar por uma alternativa.

Patrícia Pedrosa, 28.05.2019

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s