Abrir o coração a partir das cores

smart

(3º Encontro dos Exercícios Espirituais em Diários Gráficos, 12 janeiro 2020, Casa Velha)

Ao longo dos últimos anos fui descobrindo como o desenho é uma ferramenta extraordinária para treinar a observação, que nos ajuda a selecionar o essencial, a ver em detalhe, de forma analítica, e que nos possibilita ver e conhecer a realidade, memorizá-la, imaginá-la e recriá-la.

Quando, há cerca de 3 anos, descobri existirem exercícios espirituais com diários gráficos, em que o desenho é proposto como ferramenta para rezar, imediatamente senti que era um desafio para mim.

Só este ano consegui aderir. Acabo de regressar do terceiro encontro deste programa continuado, ao longo de 6 meses, e pautado por 6 momentos.

Desta experiência, o que posso partilhar?

Desenhar sempre me relaxou. Tenho experimentado agora que desenhar me esvazia de mim mesmo, mantém a minha mente vazia para entrar em “modo” oração, desligar de tudo e encher-me de Deus.

Desenhar obriga o meu olhar a concentrar-se no que vê. Ao fazê-lo, sinto-me maravilhada e agradecida por tudo o que é belo e me envolve.

Desenhar determinados detalhes leva-me a selecionar, escolher, focar-me. Quando desenho a partir de um texto, percebo nele o que mais me toca e marca e não me perco em meros pensamentos.

Desenhar a partir de uma cena de há 2 mil anos ajuda-me a pôr me lá, entrar na cena, presenciar. Não estou fora, estou dentro.

Desenhar a partir de um texto permite-me confrontar no desenho palavras, objetos e cenas do passado e de hoje. O presente interage com o passado e eu percebo que as palavras de há dois mil anos tocam os dias de hoje.

No desenho podem conviver personagens do passado e de hoje, personagens reais e imaginárias, lugares, palavras, pessoas, sentimentos… as possibilidades são infinitas. Divirto-me e entusiasmo-me pelas novas formas de oração possíveis.

E, talvez a descoberta mais extraordinária. Partilhar a partir do que se desenha cria uma possibilidade de comunhão e partilha que nunca tinha experimentado.

O coração de cada um abre-se para falar das cores, traços, marcas deixadas sobre o papel, que são também tantas vezes as cores, traços e marcas que estão no coração de cada um. E não interessa se os traços são os certos ou errados, se estão bem ou mal feitos, porque eles são a beleza que o coração de cada um exprime e partilha. Essa beleza aproxima-nos a todos, e aproxima-nos de Deus e dessa coisa misteriosa que procuramos, que é o seu reino.

Inês Ferreira, Porto

15 janeiro 2020

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