Ao ritmo da Terra – inverno

grupo 3

Arrancámos fevereiro ao ritmo da Terra. Aqui ficam dois testemunhos que nos embalam.

Foram dias diferentes, abertos à novidade do desconhecido, bebendo, com sede, gota a gota, o tanto que a Quinta da Casa Velha nos oferece. Ao ritmo do amanhecer, do entardecer e do ocaso, de pés bem assentes na terra e coração em Deus, contemplando o chilrear dos pássaros entre árvores frondosas, fomos aprendendo a mansidão do burro e o abandono dos seres vivos que povoam o vale da quinta.

Dias em que houve tempo abundante para rezar, conversar, trabalhar, passear e até dançar, momentos que fomos experienciando com o coração, tecendo a comunhão que a contemplação da natureza sempre inspira.

Madrugando para rezar, ao ritmo da descoberta dos caminhos da quinta, sentimo-nos parte de um todo maior, cheio de beleza e mistério, que nos fez sentir imensamente gratos, revigorando as forças da alma e do corpo.   

Que bom deixar para trás o cimento, as ruas agitadas, os ruídos e as luzes da cidade, com toda a azáfama que nos consome, os telemóveis … e poder, simplesmente, estar.

Calar para escutar as vozes do campo e nelas intuir a voz de Deus. Até os ruídos dos motores da serra podando as árvores e oferecendo-nos a lenha, que ao princípio me incomodaram, acabaram por se diluir entre os demais, compondo a melodia. 

Ao sabor das propostas do Padre Frederico, que congregou as ovelhas na Capela do Bom Pastor, encontrámo-nos com a sabedoria dos salmos e a força da palavra de Jesus, que nos foram libertando a alma para uma paz maior, na simplicidade daquele lugar despojado.

Ao Ritmo da terra, fomos descobrindo as artes agrícolas, numa cumplicidade feita da entrega de quem se dá por inteiro, em cada instante…sentimo-nos um com todos na aventura de semear, podar sobreiros e pinheiros, trabalhar no galinheiro, fazer festas ao cão e ao burro, preparar estacas para a alfazema que vai adornar os canteiros da casa…

Inebriados pelo ar puro da amizade, respirando a autenticidade do lugar, partilhámos saberes e tempo, palavras, gestos e sorrisos, dando-nos a conhecer, sem medos.

Sentindo-nos acolhidos por esta família que se nos deu de coração, interpelados pelo jeito simples com que nos oferece tanto dom recebido, experimentámos a força do amor, em cada canto renovado, capaz de nos transformar, também, a nós.  

Casa velha, nos valores e saberes que esta família vem partilhando, geração a geração, no tesouro das memórias agradecidas de pais, avós e tios que são lembrados, com tamanha ternura, na oração, nas conversas e por entre os caminhos da Quinta.

Casa Velha, cheia de história e gratidão, sempre nova na arte de acolher e de amar e de nos religar ao essencial. Tudo ali nos inspira e convida ao prazer de saborear cada momento. Rezando e arrancando as silvas silvestres entre carvalhos, pinheiros e sobreiros, cuidámos das nossas ervas daninhas. Plantando batata, ervilha e feijão, saboreando os deliciosos manjares preparados pela Maria Canário, acolhendo os vizinhos do Vale do Travesso, agradecemos a amizade e o pão nosso de cada dia.

Amassando a argila barrosa, distribuindo pedregulhos, pedrinhas e material lenhoso por entre os sulcos dos degraus que construímos, moldámos a terra, devolvendo-lhe os seus frutos.

Cuidando das alfazemas e aplanando o chão do galinheiro, sob o olhar manso do burro, e por entre lagartixas e piscos, redescobrimos a nossa profunda ligação à terra, mais conscientes da dependência entre todos os seres vivos.

Experimentando a força desta terra, cresce em nós o desejo de cuidar das terras materiais e espirituais que nos sustentam: o cimento do bairro onde vivemos, a família onde crescemos e nos movemos, o círculo dos amigos, a comunidade do trabalho, os grupos de voluntariado e de fé.  Cuidar da terra com amor, porque ela é sagrada.

Muito Obrigada Família Alvim!

Maria Possolo, Lisboa

 

Quero que esta tenha sido a primeira de muitas visitas à Casa Velha

Um espaço e um tempo para nos reencontrarmos

Porque só o silêncio do campo e cada oração nos permite esse distanciamento

Depois a Casa Velha entranha-se

O seu projeto, a autenticidade de fazer o melhor que se pode e consegue sem artifícios

E antes de tudo as pessoas

De muito género e variedade, como é bom

Mas que se transformam numa comunidade

Com que partilhamos o esforço do trabalho na terra e as refeições

E as ideias e as preces, se e quando quisermos

Ou que ficam só para nós, para nos lembrarmos mais vezes

Obrigado Casa Velha

Miguel Crespo, Lisboa

 

grupo

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