Dia de Festa no Céu e na Terra

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Hoje o Tio Toquim e o Tio Nuno fariam 92 anos. A sua vida continua a sustentar-nos e a sustentar a Casa Velha. É pois dia de Festa, que celebramos com as Memórias de Infância do Tio Toquim e com uns versos do Tio Nuno, acompanhados por boa música que poderiam estar a tocar-nos no piano, a quatro mãos…música que nos continua a animar e a abrir.

À data do meu nascimento já o pai exercia medicina geral em Ourém . Por isso , eu e o meu gémeo nascemos na Casa Velha em 12 Fevereiro de 1928 . tendo como parteiro o nosso pai . Tudo correu bem e , coincidindo o dia do nascimento com o dia da festa do Vale Travesso , foi lá a banda tocar e beber uns copos. (…)

O 5º e o 6º aniversários foram na Casa Velha . No primeiro , recordo-me de a minha avó mandar convidar a cachopada do Vale Travesso  para um almoço que decorreu no pátio da adega . (…) Um domingo depois da missa adiantámo-nos em relação à  avó , que vinha a conversar e , ao passarmos junto a uma casa onde estava uma velha sentada no degrau da porta , ela interpelou-nos : “  Os meninos é que são gemos ? ” “ Somos , pois !” E seguimos a trote pelo carreiro dos batalhões para entrar pelo portão de baixo .Estávamos em Maio e havia um cheiro maravilhoso junto à vinha das laranjeiras .(…)

Naquele tempo o capelão do Vale Travesso era o padre doutor . Este padre era formado em direito e notário em Ourém . O padre doutor ia de bicicleta para a capela . Chegava lá a suar , puxava de um grande lenço tabaqueiro , limpava a cabeça e a cara , dava um nó em cada ponta e enfiava aquilo na cabeça .Depois ia para o confessionário . A primeira vez que eu e o Nuno lá fomos confessar-nos ele ria-se e perguntava : “ Olha lá , tu és tu ou és o teu irmão ? ”

in “Memórias de Infância na Casa Velha e não só”, António Joaquim de Sousa Alvim, 2013

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(Richter-Britten. Schubert: Fantasy for Piano in f minor, Four Hands D. 940 (live), audio)

n e tAMOR UNIVERSAL

Eu quero manter do coração abertas

todas as portas, bem de par em par…

Entrai nele e ficai, gentes incertas,

que buscais apoio sem o encontrar!

Imite o meu o coração de Deus

aberto pela lança do soldado,

onde cabem todos os filhos seus, 

ainda os mais manchados pelo pecado.

Saiba ele perdoar qualquer ofensa,

servir sem olhar a recompensas,

tomar por própria toda a alheia dor,

Saiba desfazer ódios e malquerenças,

contrapor até às simples indiferenças

a alegre plenitude do Amor!

Nuno do Carmo de Sousa Alvim

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