Ver novas todas as coisas em Cristo

A experiência da Casa Velha a celebrar o Ano Inaciano

por Pedro Walpole sj*

A Casa Velha é uma paisagem panorâmica de relações, muito real e tangível, em que toda a terra e a vida na aldeia é conhecida e partilhada por todos; não a partir de uma pesquisa no google mas da boca dos mais velhos e daqueles que caminham a passos largos para uma nova vida. A Casa é a família e a aldeia; os pais são homenageados e os netos comemorados, há sempre um sentimento de casa. Vivem-se dificuldades, a família tem sabido sempre o seu caminho e desta sensibilidade surgem coisas novas que começam com muito entusiasmo. Quando a aldeia se reúne, todos recordam e partilham orações, música, dança e comidas da terra, comuns e especiais.

A Casa Velha está a fazer crescer uma família alargada à medida que abre as suas portas, palheiros, cozinhas, jardins e bosques aos jovens, partilhando com simplicidade, esperança e oração uma visão do horizonte. Portanto, há um sentido familiar de comunidade, de conversar com novos amigos e de trazer amigos, de trabalhar no jardim, de tempo para absorver o crescimento das plantas, das oliveiras e dos animais; paciência em experimentar a vida como dádiva. As canções e os desenhos vindos do fundo do coração.

O lugar torna-se uma referência, uma sólida experiência adulta com liberdade, liberdade para escolhas futuras e compromissos que podem até ser muito diferentes, mas a experiência nunca é esquecida. A alegria é para levar, consolo quando os tempos são difíceis e um bom abastecimento para mudar a vida de alguém. Falamos de gratidão,
mas celebração também é uma palavra muito apropriada para a Casa Velha. Uma celebração simples, não são balões, alegria e festa por alguns dias, mas sim uma profunda alegria e boa vontade que nos atravessam, o cuidado e o acompanhamento caloroso e duradouro. A comunhão é partilhada por um tempo, a visão do mundo torna-se mais clara, não se concretiza imediatamente, pode nunca concretizar-se, mas não morre, é o que vejo nos olhos dos jovens.

Os jovens trazem consigo a sua própria cidade e experiências de trabalho, de possíveis experiências de infância com a terra, trazem também os desafios do mundo, as oportunidades, as incertezas e as vulnerabilidades enquanto estão no campo e na quinta; caminham por estas realidades na profundidade do seu próprio ser, com desejo de comunidade e presença de Jesus. Os jovens estão à procura do que é justo, bom e adequado e na unidade e na beleza que partilham e procuram construir, encontram um sentido de verdade, verdade humilde, que não facilmente encontrada no mundo de hoje.

O mundo é difícil, injusto e desajustado em muitos lugares e tempos. A Casa Velha não é uma fuga; o mundo precisa de compromisso, de compaixão acessível e de caminhar entre as ruínas das esperanças humanas; esta é uma preparação para o amor duro. A Casa Velha permite que os jovens explorem o porquê, em paz; não impõe um futuro “o que” fazer, mas oferece um “como”, como participar na missão desta vida, cada qual respeitado como ser único. É por isto que precisamos de mil flores, casas em todo o mundo, pastos verdes onde a juventude não teme o mal e cresce no sentido da humilde verdade e do serviço.

versão original em inglês

Casa Velha is a landscape of relations, very real and tangible, everything about the village life and land is locally known; it does not come from a google search, but from the mouth of elders and those striding for new life. Casa is family and village; parents are honored and grandchildren celebrated, there is always a sense of home. Difficulties are experienced and family always knows what has been the way, so from this sensitivity new things grow and can be initiated with great enthusiasm. When the village gathers everyone remembers and shares the prayers, music, dance and foods of the land, ordinary and special.

Casa Velha is growing an extended family as it opens its doors, barns, kitchens, gardens and groves to the youth sharing with simplicity, hope and prayer a vision of the landscape. So there is a familial sense of community, of talking with new friends and bringing friends, of working in the garden, of time to soak up the growth of plants, the olive trees and animals; patience in experiencing life as gift. The songs and the sketching coming from deep in the heart. The place becomes a reference, a solid adult experience with freedom, freedom for future choices and commitments that may well be very different, but the experience is never forgotten. The joy is a take-away, solace when times are difficult and a well-stocked reference for changing one’s life. We talk of gratitude but also celebration is a very appropriate word for Casa Velha. A simple celebration, it’s not balloons, gaiety and fanfare for a few days, rather a deep joy and willingness that pervades, a care and accompaniment that is warming, and lasting. A communion is shared for a time, a vision is formed of the world, it is not achieved in the now, it may never be achieved, but it does not die that is what I see in the eyes of the youth.

The youth bring with them their own city and work experiences, of experiences with the land they may have known as a child, they bring also the challenges of the world, the opportunities, uncertainties and vulnerabilities and while in the field and farm walk through these realities in the dept of their person, desire for community and presence of Jesus. They are searching for what is fare, kind and just and in the unity and beauty that they share and seek to build they find a sense of truth, humble truth, not easily found in today’s world. The world is tough, unfair and unjust in many places and times. Casa Velha is not an escape from this; the world needs commitment, compassion accessible and walking amongst the ruins of human hopes; this is a preparation for tough love.

Casa Velha allows youth explore the “why”, peacefully; it does not impose a future “what” to do, but offers “how”, how to share in the mission of this life, each one respected as unique. This is why we need a thousand flowers, houses across the world, green pastures where youth fears no evil and grows in a sense of humble truth and service.

*Coordenador da rede EcoJesuit. Este artigo foi publicado originalmente no Relatório de Atividades 2019 da Casa Velha

 

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